terça-feira, 12 de abril de 2016

Brasil, o país do paradoxo


Como explicar que o país que em 2009 parecia decolar para a Economist em 2014 tinha "estragado tudo" segundo a mesma revista? Ou ainda que Obama tenha chamado Lula de "o cara" em 2009 e hoje o mesmo Lula esteja lutando para não ser preso? Ou ainda que o mesmo povo que foi às ruas em 2013 para reclamar do preço do transporte público e acabou reclamando de quase tudo, incluindo a corrupção e dos políticos, por fim acabou votando nos mesmos políticos corruptos de sempre, aqueles que só não estão presos devido à morosidade e à complacência dos tribunais superiores nos quais tem o privilégio de serem julgados. Ou que os movimentos sociais apoiem o governo por temerem perder o espaço que ganharam nele ainda que a própria existência e a força de grupos como os Sem Terra e os Sem Teto após quatorze anos de governo do PT deixem claro que essa proximidade não resultou em ganhos reais para os integrantes destes movimentos? Ou ainda que grupos como a Bancada Evangélica sejam eleitos sobre a bandeira da moralidade e da defesa da 'família' enquanto tem a maior parte de seus integrantes envolvidos em escândalos de corrupção, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados? Ou que se compare o impeachment constitucional da presidente com um golpe de Estado? Ou que o povo seja contra a corrupção até que o guarda de trânsito os pegue dirigindo alcoolizados?
Neste país paradoxal a coerência nunca foi importante já que é a conveniência que dita as posições políticas ou ideológicas. Por isso, ninguém mais se choca com os apoios que o governo compra no congresso às custas de ministérios, cargos públicos e mesmo uma certa tolerância para com a corrupção. Afinal no Brasil ainda vale a máxima "rouba mas faz". E ainda que a atual crise econômica tenha deixado claro o quanto a corrupção prejudica o país ainda há uma parcela significativa da população que acha que o importante seja a esmola travestida de programa social dada pelo governo. Por isso, ainda que a economia esteja ruim e o governo não tenha nenhuma proposta concreta de como retomar o crescimento econômico o impeachment da Dilma não será uma unanimidade e talvez ainda vejamos o Lula sendo eleito em 2018.
Talvez tudo mude para continuar mais ou menos a mesma coisa.

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