domingo, 17 de julho de 2016

MinC or not MinC, that's the question!

É, eu sei que o assunto já esfriou, afinal o Temer já arregou da sua decisão de acabar com o Ministério da Cultura (MinC) e acabou voltando atrás após o protesto de alguns artistas (se a Dilma era resoluta na arte de fazer cagadas o Temer tem sido um bundão ao fazer o certo). Muito se discutiu sobre a importância ou não da cultura e o quanto isso estava atrelado à existência de um ministério. Como se a extinção do Ministério da Pesca significasse que a pesca e o peixe fossem irrelevantes para o brasileiro. E a discussão central de qual é a porra do papel de um ministério da cultura acabou ficando no n-enésimo plano.
E qual é raios o papel de um ministério da cultura? E qual o objetivo de suas políticas? Aliás, eu espero que ele tenha alguma! Muitas vezes tem se encarado um ministério quase como um cabide de empregos aonde o Estado investe em artistas quase sem público mas escolhendo quase de forma arbitrária ou clientelista os artistas que devem ser financiados, ainda que sem público, enquanto talentos sofrem com a absoluta falta de apoio. Será que o problema não é justamente imaginar que cabe ao Estado decidir o que deve ou não ter apoio mesmo sem público? E que sentido faz impor à sociedade como um todo a diversão de grupos tão rarefeitos enquanto ela sofre com ingressos caros dos espetáculos que deseja ver? Ou que tão poucos tenham acesso à aulas de pintura ou música enquanto o Estado coloca dinheiro em eventos cujos ingressos são caríssimos? Para mim todo e qualquer ministério deve ter metas claras e públicas de forma que o eleitor possa cobrar de seus gestores o seu devido cumprimento e o Ministério da Cultura não pode ser exceção. Neste caso, eu proponho duas diretrizes: a educação e o acesso. Garantir ao público em geral cursos e atividades didáticas de forma a permitir que as pessoas possam conhecer as diferentes artes e o acesso permitindo que a população de baixa renda possa ter acesso à espetáculos aos quais dificilmente não conseguiria ter acesso devido ao preço dos ingressos. A cultura sempre existiu com ou sem ministério e muito antes de que se pensasse que ela deveria ser alvo de alguma política pública. Não cabe ao governo estabelecer sustentar artistas, estabelecendo por critérios arbitrários o que raios é um artista de talento ou não, como não coube ao governo garantir o emprego de datilógrafos ou taquígrafos.
Mas, se a ação do governo na cultura deve ser basicamente de educação e acesso, então porque raios ela não poderia ser feita como um departamento do Ministério da Educação? Aliás, não seria muito melhor desta forma, transformando nossas escolas, sobretudo as da periferia em pólos de cultura, viabilizando artistas mas dando o acesso à população carente e integrada ao conhecimento? Temer seja homem e acaba logo com o Ministério da Cultura!



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