segunda-feira, 22 de maio de 2017

Ética nossa de cada dia

Em meio a tantos escândalos de corrupção e tanta falácia que se vê em meio aos últimos acontecimentos a gente percebe o quão nossa política se encontra fragilizada, chegamos a pensar que House of Cards é baseada em fatos reais (por fatos reais leia-se Brasil), mas acho que a reflexão não pode ser tão rasa, precisamos entender qual o real problema para assim conseguirmos entender onde que temos parcela e assim minimizar o problema, já passou da hora de sair da vertente do “eu não tenho culpa”, “eu votei em A”, “eu votei em B”, até porque A e B estão envolvidos em corrupção, o alfabeto inteiro está imerso nessa suruba de letrinhas corruptas que só faz do brasileiro mais analfabeto, mas quem sabe menos maniqueísta.
Eu poderia citar Thomas Robinson quando diz que o homem é o lobo do homem ou ainda Rousseau quando diz que o homem é bom, porém o meio o corrompe, mas não o farei, prefiro uma frase que ouvi no noticiário da manhã que dizia que os últimos acontecimentos assustam a “todos”, desculpem o tom irônico em ao parafrasear colocar o “todos” em aspas (ops, fiz de novo), mas isso é só mais uma falácia midiática tão presente em tempos líquidos onde se anseia por se mostrar conhecedor e detentor da ética e moral, quando na verdade se é só mais um hipócrita, pois pensem comigo os corruptos citados não se assustam com o fato relatado, talvez com o medo da descoberta e das suas possíveis sanções, mas isso é outra história.
Quem nunca ouviu a celebre frase: “ Brasileiro não sabe votar! ” Bem eu entendo por essa frase que, ou o interlocutor não é brasileiro, ou entende que sabe votar, por questões lógicas descarto a primeira opção e correndo o grande risco de estar errado possivelmente a segunda não se faz verdade, pois entendo eu que saber votar é a antítese de tudo que vemos no cenário político atual, mas aí pode ser que alguém venha com o possível questionamento: “ Votar em quem? Se todos são iguais! ” Perceba que novamente estamos transferindo o problema para “o outro”, nunca somos nós os responsáveis, mas esquecemos das corrupções do cotidiano (prefiro não citar, correndo o risco de ser repetitivo e chover no molhado), que o cenário político brasileiro mudou nos últimos três anos isso é inegável, e eu acredito piamente que para melhor, sim melhor pois não pense que a corrupção aumentou ou piorou, ela apenas chegou ao conhecimento público, e em função disto acredito que seja o momento perfeito para se fazer o seguinte questionamento: “Quantos séculos serão necessários para se mudar a cultura?”.
Faço este questionamento que o problema nosso é perceber que precisamos sair da seara de que política só corre em Brasília e perceber que política é cotidiano e que se for iniciada hoje uma mudança cultural (o que acho difícil não por pessimismo e sim por realismo de entender que as coisas não acontecem assim do nada a menos que se esteja em um filme do Harry Potter) os filhos dos nossos netos iram gozar de um melhor cenário econômico.
Não discordo que as coisas estão mudando, porém o que não pode ocorrer é que o direito penal seja a solução, pois ele é apenas um recurso de transição (no nosso caso claro) e depois uma medida protetiva, pois vale sempre lembrar que a política não muda o caráter de ninguém, ela apenas o revela, sabendo disso o que se pode fazer é torna-la menos atrativa a antiéticos e amorais que almejem governar em benefício próprio. Eu entendi que seria pertinente falar em ética pois temos ainda um sério efeito colateral que é o de que somos tentados a embasar nossos “pequenos” atos corruptos do dia-a-dia não como corrupção, mas como forma de ressarcimento por tudo que nos é roubado por esquemas ilícitos e má administração, mas é preciso também ser lembrado que nessa lógica do olho por olho e dente por dente, podemos acabar caolhos ou pior, no mesmo “balaio” que os corruptos que tanto criticamos.
O problema existe, mas o que vemos é só a ponta do iceberg, têm se muita insatisfação (sentimento totalmente aceitável, diga-se de passagem) até porque vale lembrar que a desigualdade é a mãe de toda forma de violência. Ouço ainda falar que o problema é falta de educação, a alegação é até de fato verdade em pontos, não discordo, gosto apenas de reiterar que existe um canyon entre educação e instrução, pois pode-se ter um indivíduo extremamente instruído e sem nem um pingo de educação, as “carteiradas” e abusos de poder por aí fora exemplificam isso.
Com tudo isso eu quero que a discussão não seja tão superficial, pois de cientistas políticos e pensadores de porta de boteco o Facebook está cheio.

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