quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Diário de Viagem 4 - Honestidade

Falar das ruas limpas e do respeito à sinalização de trânsito na Europa chega a ser pedante de tão comum. O que mais me surpreende é que mesmo as pessoas que viajam periodicamente ao exterior aparentemente não aprendem porra nenhuma em suas viagens. Afinal a sujeira das ruas e o desrespeito às leis de trânsito acontecem da mesma forma tanto nos bairros mais periféricos quanto nos de classe mais alta. É nesta hora que fica claro a maneira 'flexível' que o brasileiro trata questões como honestidade e respeito. É isso o que explica que políticos de ficha 'imunda' continuem sendo eleitos. É como se o político pudesse ser apenas 'meio' honesto desde que garanta algum auxílio ou benefício. Afinal, nós também podemos ser apenas 'meio' honestos respeitando a sinalização apenas quando há um radar por perto e ainda reclamando da indústria da multa quando somos vítimas de algum radar escondido. Ou ainda emporcalhando nossas ruas e reclamando das enchentes.
A política do pão e circo continua mais ativa do que nunca!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Diário de Viagem 3 - Champagne

Fim de ano pede champagne mas a maioria dos brasileiros vai ter de se contentar com o espumante nacional, uma bebida tão ruim que precisam encher de açúcar para o povo conseguir tomar. E isso porque tudo o que é importado no Brasil é absurdamente caro. Desde os tempos da ditadura militar que o governo tenta usar os altos impostos de importação para favorecer a indústria nacional mas como o governo não melhora nem a educação, nem a infraestrutura e muito menos os impostos, fazem cinquenta anos que essa política só tem servido para condenar o brasileiro à consumir produtos que o resto do mundo jamais consumiria. Felizmente nessa viagem pude comprar duas garrafas de 750ml do legítimo champagne de Champagne por apenas dezoito euros a garrafa. Cerca de oitenta reais. E ainda pude conhecer as parreiras e as galerias subterrâneas aonde o champagne é armazenado!
E ai, até quando vou ter que consumir produtos de merda de uma indústria nacional superprotegida?!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Diário de Viagem 2 - Dublin

Dublin é certamente bem diferente de Paris. É muito bonita mas não tem os grandes palácios e outras grandes construções típicas da era de ouro da Europa Ocidental. E isso porque enquanto a Europa Ocidental curtia os louros de sua política colonial, a Irlanda (como o Brasil) sofria todos os padecimentos de ser uma nação dominada. A Irlanda é um daqueles países que mostram que todas as desculpas que os brasileiros tradicionalmente se dão para justificar porque nos conformamos com nosso próprio subdesenvolvimento: o fato de termos sido colônia ou sermos um país de independência recente. Bom, a Irlanda também foi dominada e talvez de forma mais dura que o Brasil. Tão dura que muitos preferiram imigrar para países como o Estados Unidos. Um é o avô do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump. E a independência da Irlanda foi obtida apenas em 1916 (apenas cem anos!) e depois de uma violenta guerra!
Enfim, enquanto damos desculpas e esperamos que um messias apareça e resolva nossos problemas por mágica, outras nações provam que com trabalho duro o desenvolvimento está disponível à todos!

domingo, 25 de dezembro de 2016

Diário de viagem 1 - Educação

Depois que a viagem passa e se retorna ao lar sobram as lembranças e as histórias. Mas para aqueles que não são meramente medíocres ainda sobra um pouco mais: as reflexões e comparações. Elas vão desde ficar pensando em porque eu amo tanto Paris e que não encontro em São Paulo até nos diferentes desafios comuns ou não tão comuns enfrentados por brasileiros e franceses. Por isso, vou tentar escrever um artigo por dia explorando algum tema interessante e o ilustrando com algumas experiências da viagem. Vou começar pela educação por ser assunto de suma importância e de a reforma do ensino médio que o governo tenta alavancar estar sendo discutida de forma muito passional e nem um pouco racional.
Eu não sei vocês mas se teve uma disciplina na qual eu posso afirmar categoricamente que não aprendi porra nenhuma em oito anos de ensino básico é educação artística. Não porque eu deteste artes mas que devido à falta de estrutura normalmente disponibilizada a maioria das escolas acaba transformando essas aulas em cursos de desenho. E eu decididamente não tenho talento e nem interesse em desenho. Em compensação quando estive no Museu de Orsay eu não estava minimamente preparado para ver alguma diferença entre um quadro simbolista, romântico ou realista. Comprar um livro sobre a pintura do século XIX foi fundamental. Mas mais do que isso. Por que raios tanto adolescente idiota ficou bicudo quando se anunciou que as aulas de educação artística não seriam mais obrigatórias? Por acaso algum deles aprendeu alguma coisa à mais do que eu? Não seria então mais racional COMEÇAR propondo uma educação artística que REALMENTE ensine alguma coisa? O objetivo não pode nem deve ser formar artistas mas certamente seria mais útil uma disciplina que desse noções sobre as diferentes escolas de pintura, escultura ou música do que achar que todo mundo vai levar nove anos para aprender a desenhar.
Em uma educação que o professor acha que ensina quando o aluno sabe o nome complicado que descreve algum processo e o aluno finge que aprendeu quando decora esse nome e tira uma boa nota, a gente nem sempre percebe que a educação deixou à muito de ter qualquer propósito que não seja preparar alunos para passar no vestibular e depois esquecerem tudo o que se tentou ensinar nos doze anos de ensino fundamental e médio. É normal gastar tempo e dinheiro durante doze anos sabendo que muito do que está sendo ensinado não serve para porra nenhuma?! E que professor talentoso na face da Terra vai conseguir fazer um futuro engenheiro civil achar interessante biologia quando a matéria ensinada é basicamente um grande dicionário de nomes complicados e que o aluno só escuta na escola? Tive a feliz oportunidade crianças felizes aprendendo de forma divertida a diferença entre sapos e rãs (e você, sabe quais são as diferenças?) no Palácio das Descobertas (Palais de la Découverte). Mais do que isso, a monitora DEMONSTROU através de uma série de experiências simples como os sapos e rãs acham sua comida. Para um país em que muitos só aprendem ciência em livros e que, por isso, confundem ciência com religião (o que já ouvi de idiotas me perguntando se 'acredito' na evolução...) fico pensando o quanto um ensino mais empírico e prático poderia ajudar as pessoas a entenderem o que REALMENTE é ciência e qual a sua importância.
Mas claro, sem uma sociedade que valorize o ensino e não apenas o diploma toda a discussão sobre melhoria do ensino acaba sendo inútil.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Chega!!!

Hoje pela manhã recebi no WhatsApp um vídeo com um trecho de uma entrevista do Gabriel o Pensador ao Jô Soares, onde ele canta um trecho de uma música sua que relata que por pagar uma alta taxa de impostos ele é o dono deste lugar (vulgo Brasil) e por isso grita chega.
Resolvi procurar a música e a mesma se chama chega, de fato a música é um forte grito de protesto e de valiosa letra, ocorre que fiquei chateado comigo como brasileiro por perceber que não nos damos conta disso e quando damos nada ou pouco fazemos.
Apesar de escrever um blog sobre política, me incomoda minha pequeneza como cidadão em meio ao nosso cenário político e por isso me senti na obrigação de escrever este texto como desabafo afim de encorajar todos nós a mudar o cenário atual, para tanto, segue o vídeo clipe oficial da música Chega, do Gabriel o Pensador.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Muito ajuda quem não atrapalha!

Ainda me impressiona o quão o governo pode ser bom em f%$#r a vida do brasileiro, acho que isso é fruto de anos de prática e experiência, e quem têm mais sentido esse impacto ultimamente é o e-commerce.
Esse post se dá por um insight que tive (preferiria não tê-lo) depois de tantos problemas com os correios, o ultimo foi o fato de que no site da instituição alega, após rastreio de uma encomenda, simplesmente que o número está irregular, alegação esta que diverge da realidade, já vi outras experiências também, como um conhecido que teve a alegação de que não tinha ninguém na residência mesmo morando em um edifício com portaria 24 horas e até a falta de cola em uma agência. Entenda você leitor que falei do e-commerce pois estou evitando de comprar em bons sites e com preço diferenciado devido ao fato de optarem pelos correios como modo de entrega, pois os transtornos não se fazem válidos em uma análise de playback da experiência da compra como um todo.
Aí você me pergunta: "Onde entra o governo?" E eu prontamente lhe respondo: Nessa sua mania enfadonha e cretina de achar que tudo que compete a vida do cidadão é de direito do governo se meter (lamentavelmente muitos brasileiros compartilham desse mesmo viés) e com isso e a falta de livre comercio que existe, cedendo assim este "monopólio" aos correios, causando essa ineficiência que certamente todos conhecem ou tem ciência de alguém que a conheça por experiência própria.
Propositalmente citei o comercio online pois além de já ter tido outras ruins experiências devido a intervenção estatal, é uma área que movimenta grande capital e tende a crescer exponencialmente, logo o que se espera do estado, ainda mais em tempos de crise onde o giro de capital é imprescindível é que se não puder ajudar, polo menos não atrapalhe.