sábado, 16 de julho de 2016

Até quando o Estado vai ser subserviente à religião??

Mais um atentado na França e mais uma vez os políticos se apressam a fazer discursos aonde dizem que isso é um ato alguns fanáticos e que não deve ser atribuído ao islamismo. Mas como dissociá-lo da religião quando se alega cometê-lo em nome de deus e gritando 'allah akbar'?? Essas pessoas não frequentavam mesquitas francesas? Como justificar que desenvolvam tanto ódio aos valores ocidentais em nome da fé sem que nenhum dos líderes religiosos de suas mesquitas não tenham percebido? Será que assim como Lula e Dilma esses líderes eram tão imbecis que não perceberam nada? Aliás, será ainda que, de alguma forma, as mensagens que eles pregavam, ainda que não fossem pela prática da violência, não incitavam o ódio e a discriminação? Ou será que talvez para esses fanáticos uma real mensagem de amor e fraternidade não teria de alguma forma feito com que essas pessoas não tivessem a audácia de usar a religião como desculpa para justificar a sua raiva da sociedade?
Tudo isso seria mera divagação se não soubéssemos que muitos das pessoas que saíram da Europa para lutar pelo Estado Islâmico foram recrutadas dentro de mesquitas na Europa. Ou que líderes islâmicos tenham sido omissos ou tímidos ao condenar o atentado no Charlie Hebdo porque, no fundo, achavam que os cartunistas mereceram o 'justo castigo' por ofenderem o 'profeta'.
Mas se está tão claro que, de alguma forma, por ação ou omissão os líderes religiosos são culpados pelos atos bárbaros de seus fiéis então porque o governo mantém o discurso de que o problema é apenas o Estado Islâmico e não a religião em si?! Em nome do respeito às religiões e ao receio de contrariar parcelas grandes da sociedade e, talvez, até de países aliados, se tem optado por uma postura omissa com o que se passa dentro de igrejas, mesquitas e qualquer outro templo religioso, quase como se fossem lugares à parte à própria lei ou ao Estado. Tivemos coragem de separar Igreja e Estado há mais de trezentos anos, mas ainda estamos receosos de deixar claro para os religiosos, supostos portadores da 'verdade suprema' de que sua 'verdade suprema' está sujeita às leis do Estado Laico. Talvez isso pareça pouco importante porque a evolução do humanismo forçou as religiões ocidentais à aceitarem os valores humanistas dos novos tempos, mas é idiotice imaginar que todas as religiões e correntes religiosas incorporaram em suas doutrinas todos os valores do humanismo. Precisamos parar de temer o maldito politicamente correto e entender que não basta separar Igreja e Estado mas que é necessário sujeitar a Igreja ao Estado, não como forma de mera servidão mas de submissão às leis de seus respectivos países.
Talvez isso pareça um pouco abstrato demais para nós, brasileiros, afinal não temos problemas com o terrorismo e uma parcela ínfima da população é muçulmana. Mas isso é um mero embaçamento da visão de quem é capaz de enxergar o cisco no olho alheio mas não a trave no próprio. A bancada evangélica já deixou claro que quer impor a observância do cristianismo mais estrito nem que se seja por força da lei. Pastores não se preocupam em deixar claro o respeito à quem não segue as doutrinas de suas igrejas e, muitas vezes, até incentivam a visão estereotipada das religiões e grupos alheios à sua fé. Ainda mais, não condenam os atos de violência contra gays e minorias religiosas chegando, inclusive, à incentivá-los veladamente. Mais ainda, se opta pela conivência por casos claros de violação da lei como o curandeirismo, o charlatanismo ou as igrejas com fins lucrativos. Com um cenário destes outros claros atentados ao Estado Laico parecem até pueris como as tentativas de impor o ensino religioso, os cultos celebrados em prédios públicos ou os passaportes diplomáticos concedidos à líderes evangélicos.
Será que falta muito para impor o Estado à Igreja??


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