terça-feira, 19 de maio de 2015

A preguiça é a mãe do paternalismo

     Semana passada estava na aula de cálculo quando ouvi uma frase que me deixou estarrecido mediante sua mediocridade, vejam só vocês, o professor de cálculo ao explicar a matéria disse que os cálculos os quais estávamos desenvolvendo não seriam tão usuais no decorrer da vida profissional pois existiam softwares que desempenham a mesma função dos referidos cálculos, softwares esses que foram desenvolvidos por pessoas que modelaram as equações manualmente de forma a facilitar o trabalho de nos acadêmicos e futuros engenheiros, até ai tudo certo e verídico, e não foi esta fala o motivo de meu desagrado e sim a de um colega também acadêmico que disse que sendo assim não se fazia então necessário o aprendizado destes cálculos partindo do pressuposto de que teriam softwares que os fariam de forma mais precisa e assertiva. Será mesmo? Vamos lá...
     Primeiro que tal alegação denota de forma clara a mentalidade preguiçosa do brasileiro, que quer receber os louros dos trabalhos que não colheu ou dos conhecimentos que não detém, e assim se fôssemos mesmo uma pátria educadora como é o slogan do governo petista, nossos acadêmicos buscariam o caminho contrario, através do seguinte pensamento: Serio? Outros já utilizaram estes cálculos para desenvolver um software afim de facilitar a vida dos profissionais da área? Interessante... Vou buscar conhecer eu também estes cálculos afim de não me tornar escravo da ferramenta e quem sabe poder buscar desenvolver um software melhor, até mesmo para corrigir os erros e falhas deste software anterior, ou ainda não me tornar inapto numa possível ausência de tal ferramenta.
     Porém ocorre que temos uma imensa preguiça de pensar, de inovar, criar e desenvolver, somos um povo que vive de escorar no trabalho alheio, se orgulha que o número de pessoas que recebem uma esmola estatal, bancada com o suor do trabalho da classe média, e usei a expressão somos porque apesar de buscar remar sempre contra essa maré paternalista e preguiçosa ainda sou um brasileiro, destoante, mas ainda brasileiro.
     Acho que essa mentalidade é um problema patológico, essa cultura paternalista está incutida, enraizada na mentalidade brasileira que enquanto não nos predispormos a sermos merecedores de fato dos salários que almejamos e estarmos dispostos a adquirir o conhecimento para nos levar a tal caminho, seremos sempre iguais crianças mimadas e preguiçosas que querem algo sem nem saber como e nem porque.

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